Em tempos de COP-30, a Federação Mineira de Apicultura (Femap) realiza, entre quarta (22/10) e quinta-feira (23/10), em Montes Claros, o 5º Congresso Mineiro de Apicultura e Meliponicultura, e o 22º Seminário de Apicultura do Norte de Minas, com foco na sustentabilidade. Os eventos, promovidos em parceria com a Secretaria de Estado da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Seapa) , reúnem mais de 1.500 pessoas no Parque João Alencar Athayde, entre produtores, técnicos, pesquisadores e representantes de entidades, para a troca de experiências e busca de soluções conjuntas para o setor apícola.
Homenageado durante a abertura do evento, em reconhecimento ao suporte dado pela Seapa para o desenvolvimento da cadeia apícola em Minas, o secretário de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Fernandes, ressaltou a importância da atividade, sobretudo para a agricultura familiar.
“São milhares de produtores que trabalham nesta cadeia, que agregam valor no mel, no própolis. E a Secretaria de Agricultura está aqui, com a Emater, o IMA e a Epamig, nossas empresas vinculadas, trabalhando junto aos produtores, junto à Femap, para fortalecer cada vez mais esta cadeia”, destacou. Além dele, também foram agraciados com uma placa líderes do Sebrae-MG, Faemg/Senar, Codevasf e Ocemg, também parceiros do evento.
Desafios

Os efeitos negativos da crise climática para as populações de abelhas, um dos desafios para o setor, pautou as discussões. "É preciso debater e encontrar uma saída. A mudança climática, além dos prejuízos para a produção de mel, afeta de forma negativa a biodiversidade e a segurança alimentar global, devido à dependência da polinização para a produção de alimentos", alerta o vice-presidente da Femap, Elizeu Araújo.
Além de palestras, painéis e oficinas, o evento conta com feira de produtos apícolas e de novas tecnologias. Montes Claros foi escolhida como sede devido à importância histórica e produtiva do Norte de Minas para o setor. Embora a produção de mel esteja presente em todo o estado, o Norte e o Vale do Jequitinhonha se destacam por terem o maior número de abelhas. Nelas, é produzido o mel de aroeira, que tem comprovados poderes medicinais.
Produção de mel no estado é pujante
A produção anual média de mel no estado é de 7,67 mil toneladas, segundo a Emater-MG. A região Central é a maior produtora, com 1.757.993 kg, representando 22,90% do total. Em seguida, o Centro-Oeste de Minas, com 1.415.230 kg (18,43%), seguido pela região Norte, com 1.099.954 kg (14,33%), e Jequitinhonha/Mucuri, com 1.053.190 kg (13,72%).
Em Minas, a agricultura familiar é responsável por cerca de 80% da produção de mel e aproximadamente 70% da produção de própolis. Dos 9.229 produtores do estado, 7.526 são produtores familiares. As exportações mineiras de mel atendem União Europeia, Reino Unido, Japão, Canadá, entre outros países.
A entrega de kits de apicultura é uma das ações da Seapa de apoio ao setor. Em 2025, foram investidos mais R$ 1,6 milhão na compra de 455 kits de apicultura, entregues em várias regiões mineiras. Cada kit é composto de cinco colmeias, carretilhas, cera de abelha, formão, fumigador, garfo desoperculador e equipamentos de segurança. Cada kit pode produzir entre 100 e 125 kg de mel/ano, além de própolis, pólen, cera e geleia real.
Além do mel, a apicultura tem outras fontes de receita. Em Minas, a produção de própolis em 2023 foi de cerca de 260 toneladas, sendo o estado o maior produtor de própolis verde.
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