O Instituto Estadual de Florestas (IEF) reforça o alerta sobre os impactos da domesticação de animais silvestres, especialmente do Jabuti-piranga, uma das espécies mais comercializadas e traficadas no Brasil.
Apesar da aparência tranquila e da fama de animal de fácil manejo, especialistas destacam que os jabutis exigem cuidados específicos e de longo prazo, além de representarem desafios para a conservação da fauna silvestre, saúde pública e bem-estar animal.
Segundo a diretora de Proteção à Fauna do IEF, Ariane Goulart, o número de animais recebidos pelos Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) em Minas Gerais demonstra a dimensão do problema.
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"Hoje temos cerca de 300 jabutis sob os cuidados dos centros localizados em Belo Horizonte, Montes Claros, Patos de Minas, Juiz de Fora e Divinópolis. Somente em Belo Horizonte existem cerca de cem Jabutis-piranga, enquanto em Divinópolis há pelo menos 135 animais recebidos pelo Cetras", afirma Ariane Goulart. | ||||
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O IEF atua diretamente no acolhimento, manejo, reabilitação e destinação desses animais por meio da rede de Cetras do estado, estruturas responsáveis pelo atendimento de fauna silvestre vítima de tráfico, cativeiro irregular, maus-tratos ou abandono.
Além da atuação no resgate e reabilitação, o instituto também desenvolve ações de educação ambiental e conscientização sobre os riscos da criação inadequada de animais silvestres.
Um estudo realizado no Cetras do IEF em Belo Horizonte, conduzido pela pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais, Nathália Rodrigues, identificou um cenário preocupante envolvendo a saúde desses animais.
A pesquisa apontou que 72% dos jabutis analisados apresentavam contaminação por bactérias do tipo estafilococos. Entre as amostras, 56% demonstraram resistência a pelo menos um tipo de antimicrobiano, como penicilina e tetraciclina.
Segundo os especialistas, a resistência bacteriana pode estar associada à contaminação ambiental e representa um risco tanto para a medicina veterinária quanto para a saúde humana.
Cuidados
O IEF alerta que, diferentemente de cães e gatos, os jabutis não passaram por processos de domesticação. Quando retirados da natureza, os animais podem ter seus comportamentos naturais comprometidos, impactando diretamente seu bem-estar.
Outro ponto de atenção é a longevidade da espécie. Os jabutis podem viver mais de 80 anos, exigindo planejamento, estrutura adequada e acompanhamento veterinário especializado durante toda a vida.
A criação legal de jabutis deve ocorrer exclusivamente a partir de criadouros autorizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pelo IEF. Além disso, os animais precisam de alimentação balanceada, exposição ao sol, ambiente adequado, espaço suficiente e controle de umidade.
Neste fim de semana, foi celebrado o Dia Mundial da Tartaruga (23/5). Para o instituto, a conscientização da população é fundamental para reduzir o tráfico de fauna silvestre e evitar abandonos futuros. “O alerta é para que as pessoas compreendam que animais silvestres não são pets convencionais. Antes de adquirir um jabuti, é necessário considerar os impactos para o animal, para o meio ambiente e para a saúde pública”, reforça Ariane Goulart.
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