O Governo de Minas iniciou nesta segunda-feira (2/3), em Brumadinho, a liberação do Aedes aegypti com Wolbachia, tecnologia inovadora de combate à dengue e às arboviroses. A ação, coordenada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) , marca uma nova etapa da política pública de enfrentamento à dengue, chikungunya e zika na Bacia do Paraopeba.
O Método Wolbachia utiliza o mosquito com a bactéria natural Wolbachia, capaz de reduzir a transmissão dos vírus da dengue, chikungunya e zika. A estratégia já apresenta resultados positivos em outras cidades brasileiras e agora começa a ser aplicada na região atingida pelo rompimento da barragem.
Para o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, o início da operação representa um avanço histórico na saúde pública mineira.
“Hoje é um dia histórico para Minas Gerais, porque uma nova ferramenta chega para reforçar o combate à dengue, chikungunya e zika. Pretendemos reduzir drasticamente os números de casos no estado. Este ano teremos indicadores mais controlados e vamos avançar no enfrentamento a uma doença que há décadas impacta a população”, afirmou.
A estratégia será ampliada gradualmente para outros 21 municípios da Bacia do Paraopeba. A iniciativa é realizada pelo WMP Brasil, com apoio da Fiocruz, da SES-MG e da Prefeitura de Brumadinho.
Produção dos wolbitos
Os wolbitos são produzidos na biofábrica instalada em Belo Horizonte, construída com investimento superior a R$ 77 milhões, com recursos do Acordo de Reparação de Brumadinho, firmado entre Governo de Minas , Ministério Público de Minas Gerais, Ministério Público Federal, Defensoria Pública de Minas Gerais e a Vale.
O secretário adjunto de Planejamento e Gestão, Rodrigo Matias, destacou o caráter estruturante da medida.
“A estratégia faz parte do Acordo de Reparação e estamos garantindo solução permanente para fortalecer o combate à dengue na região do Paraopeba. A iniciativa começa por Brumadinho, porque foi o epicentro da tragédia. O município recebeu quase R$ 800 milhões do Acordo, dos quais mais de R$ 300 milhões foram executados na modernização do complexo de saúde e na contratação de pessoas para fortalecimento da saúde local. Pretendemos avançar com os projetos de reparação, para que a gente possa sempre lembrar da vida das pessoas que se foram”, afirmou.
O acordo busca reparar danos coletivos decorrentes do rompimento da barragem em 2019, que vitimou 272 pessoas.
Responsável pela execução do acordo, o procurador do Ministério Público Federal, Carlos Bruno, ressaltou a fiscalização dos recursos.
“A soltura dos mosquitos representa um avanço no combate à dengue em Brumadinho. O acordo tem priorizado investimentos em hospitais, unidades básicas de saúde, saneamento e agora na biofábrica. Há fiscalização permanente, conduzida pela Fundação Getulio Vargas, e os recursos estão sendo aplicados para melhorar a qualidade de vida da população”, destacou.
Participação social
Antes da liberação, o World Mosquito Program realizou amplo trabalho de engajamento comunitário. A soltura ocorre somente após pesquisa de aceitação pública que confirma a concordância da maioria da população.
Para a secretária municipal de Saúde de Brumadinho, Cintia Pedrosa, a ação fortalece a rede assistencial. “Ao reduzir a incidência de arboviroses, evitamos sobrecarga nos serviços de saúde e garantimos atendimento mais qualificado à população”, afirmou.
A representante da Avabrum, Alexandra Andrade, destacou o simbolismo da iniciativa. “É gratificante saber que Brumadinho é a primeira cidade a receber o projeto. O mosquito com Wolbachia ajuda a reduzir casos de dengue e representa cuidado concreto com a saúde da população”, afirmou.
Método seguro e baseado em ciência
A programação inclui a Exposição Método Wolbachia, aberta ao público no Centro Administrativo da Prefeitura de Brumadinho até a primeira quinzena de abril, com informações sobre a tecnologia e seus resultados.
Para a gestora de implementação do Método Wolbachia no Brasil, Ana Carolina Rabelo, a estratégia complementa as ações tradicionais de controle do Aedes aegypti.
“O método é natural, eficaz e autossustentável, sem qualquer modificação genética. Há comprovação científica da redução da transmissão das arboviroses. Após o período de liberações, a Wolbachia se estabelece naturalmente, contribuindo para diminuir os casos na região”, explicou.
O Método Wolbachia não envolve modificação genética. A bactéria é natural e está presente em cerca de 50% das espécies de insetos. Não causa danos à saúde humana, aos animais ou ao meio ambiente.
Após a liberação, os mosquitos com Wolbachia reproduzem-se com o Aedes aegypti local e transmitem a bactéria às próximas gerações. Com o tempo, a maioria da população do mosquito passa a carregar a Wolbachia, reduzindo a transmissão dos vírus e, consequentemente, os casos de dengue e outras arboviroses.
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