Minas Gerais tem avançado no uso de tecnologia para tornar a regulação do acesso aos serviços de urgência e emergência mais ágil e eficiente. Desde 2022, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) vem revisando e aprimorando seus processos e firmou parceria com o Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Lais/UFRN) para desenvolver a plataforma Regulação 4.0.
A ferramenta vai permitir o uso da inteligência artificial, integração de dados em tempo real, capacidade de interação e comunicação com outros sistemas e maior transparência nas informações.
“Há três anos estamos investindo em diagnóstico e novo modelo de regulação, e buscamos experiências em outros estados até achar um ideal, que será a Regulação 4.0. Com essa plataforma vamos padronizar protocolos, teremos mais médicos reguladores e especialistas trabalhando para uma tomada de decisão mais rápida”, explica o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti.
“O novo sistema utiliza a inteligência artificial para dar mais celeridade aos filtros e cruzamento de dados, otimizando a busca do leito com o recurso necessário ao atendimento do paciente. Nossa expectativa é de reduzir o tempo de espera pelas transferências hospitalares e, com isso, salvar mais vidas”, destaca o secretário.
O desenvolvimento da Regulação 4.0 começou diante do aumento das solicitações de internação e da necessidade de uma ferramenta mais moderna e robusta. Atualmente, o projeto está na fase de levantamento de requisitos técnicos e, quando implantado, vai beneficiar a população dos 853 municípios mineiros.
O projeto também prevê a criação de um Complexo Estadual de Regulação, sediado em Belo Horizonte, com interlocução regional por meio das Superintendências e Gerências Regionais de Saúde. O formato busca fortalecer o apoio técnico local e padronizar a gestão em todo o estado.
Regulação em Minas
Atualmente, o acesso dos usuários a internações e procedimentos de urgência e emergência na média e alta complexidade hospitalar em cada macrorregião de saúde do estado é viabilizado por meio de 13 Centrais Regionais de Regulação Assistencial.
Desde 2006, essas centrais utilizam o sistema SUSFácilMG para controlar a disponibilidade de vagas nos hospitais, atualizar o estado clínico dos pacientes e buscar o leito com a necessidade específica do usuário em todos os prestadores de serviços do SUS daquela região.
O subsecretário de Acesso a Serviços de Saúde da SES-MG, Renan Guimarães, ressalta que a organização da assistência em Minas é guiada pela tipologia hospitalar, um modelo que define o papel de cada hospital na rede, garantindo atendimento hierarquizado e regionalizado.
“As Centrais Regionais de Regulação são operadas por médicos reguladores que observam as informações dos pacientes e definem o melhor destino assistencial naquele território. Somente no ano passado, mais de 1,1 milhão de pacientes foram regulados pelo sistema atual”, pontua.
De acordo com a análise dos números de 2024, o subgrupo Tratamentos Clínicos, que engloba as condições de saúde não cirúrgicas, liderou a demanda de regulações, com 541.339 solicitações na área de Clínica Médica e Pediátrica.
Em segundo lugar, a Cirurgia do Sistema Osteomuscular (Ortopedia) registrou 102.396 solicitações, confirmando uma significativa demanda para acesso aos serviços de trauma e ortopedia.
“O sistema está sendo remodelado para que os municípios mineiros possam ter mais acesso à regulação, não só de urgência, mas também para regulação eletiva, ambulatorial e hospitalar. Para a SES-MG, é importante desenvolver estratégias para que o paciente seja direcionado ao lugar certo, em tempo oportuno e garantir um cuidado de qualidade ao cidadão”, conclui o subsecretário.
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