Quatro aves da fauna silvestre resgatadas em Nova Serrana (MG) foram encaminhadas ao Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) do Instituto Estadual de Florestas (IEF) , em Divinópolis. Os animais chegaram à unidade na última semana, após operação da Polícia Militar de Meio Ambiente que resultou na prisão de dois homens, por manterem espécies em cativeiro sem a devida licença.
Durante a fiscalização, foram apreendidos um Papagaio Boiadeiro, um Baiano (Papa Capim), um Trinca Ferro e um Azulão. As aves foram recolhidas e levadas ao Pelotão da PM de Meio Ambiente, de onde seguiram para o Cetras. As gaiolas encontradas na residência serão descartadas, conforme prevê a legislação.
No centro de triagem, os animais passaram por avaliação veterinária inicial e agora estão em quarentena e observação. Nesta etapa, recebem alimentação adequada, acompanhamento clínico e monitoramento diário. Segundo a equipe técnica, todas as aves apresentam bom estado físico. Encerrado o período de quarentena, iniciarão o processo de reabilitação, que inclui estímulos para readaptação ao comportamento natural, garantindo que estejam aptas para a soltura em habitat seguro.
Para Sotero Guimarães, analista ambiental e coordenador do Cetras Divinópolis, cada atendimento é uma oportunidade de devolver à natureza parte da fauna perdida pelo tráfico e pelo cativeiro ilegal. “Nosso compromisso vai além do resgate. Trabalhamos para que cada animal tenha a oportunidade de retornar à natureza em plenas condições. É uma forma de combater o tráfico e preservar a biodiversidade”, destacou.
O desafio do tráfico de animais
O tráfico de fauna silvestre é considerado a terceira maior atividade ilegal do mundo, perdendo apenas para o tráfico de drogas e de armas. No Brasil, estima-se que milhões de animais sejam retirados da natureza todos os anos, especialmente aves canoras como trinca-ferros e papa-capins, muito procuradas para criação irregular. A retirada desses animais do ambiente natural compromete a biodiversidade e afeta o equilíbrio ecológico.
Em Minas Gerais, os Centros de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres desempenham papel estratégico nesse enfrentamento. Só no Cetras Divinópolis, centenas de animais chegam anualmente, vítimas de apreensões, acidentes ou maus-tratos. Após passarem por triagem e tratamento, parte significativa consegue retornar ao meio ambiente. Aqueles que não apresentam condições de soltura recebem destinação adequada, como encaminhamento a mantenedores, criadouros científicos ou conservacionistas autorizados.
Além do acolhimento, o Cetras também atua em ações de educação ambiental, sensibilizando a sociedade sobre os riscos e prejuízos do cativeiro ilegal. “Quando a população compreende que manter um animal silvestre em casa é um crime e, ao mesmo tempo, causa sofrimento ao animal e desequilíbrio à natureza, damos um passo importante para mudar essa realidade”, reforça Sotero.
Trabalho integrado
Casos como o de Nova Serrana mostram a importância da atuação conjunta entre os órgãos de fiscalização e os centros de triagem. Enquanto a Polícia Militar de Meio Ambiente age na ponta, identificando e combatendo os crimes ambientais, o Cetras garante o destino adequado e o cuidado necessário para que os animais tenham a chance de voltar à natureza.
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