A Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) , por meio do Laboratório de Inteligência Computacional Aplicada (LICA), desenvolve uma pesquisa inédita que, aliando ciência, tecnologia e saúde pública, usa a inteligência artificial (IA) no monitoramento e combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. A iniciativa, que lida com um dos maiores desafios da saúde pública no Brasil, foi batizada de Projeto Ovitrack.
Em Montes Claros, até então, o controle é realizado a partir da contagem manual de ovos do mosquito Aedes aegypti depositados em armadilhas espalhadas pela cidade. Com a solução tecnológica do Ovitrack, a contagem de ovos do mosquito passa ser feito de forma automatizada a partir do uso de IA.
O projeto é executado em parceria com a Diretoria de Vigilância em Saúde de Montes Claros. O LICA, responsável pela pesquisa, foi implementado com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig).

“O Ovitrack combina um equipamento de captura automática de imagens das paletas das ovitrampas, armadilha utilizada para monitorar a presença do Aedes aegypti pela coleta de seus ovos, com uma rede neural treinada especificamente para identificar e contabilizar os ovos”, explica o coordenador do LICA, professor Allysson Lacerda.
Assim, a inovação tecnológica permite a análise mais rápida, precisa e escalável da proliferação do mosquito.
Parceria com Montes Claros
A equipe do LICA apresentou à Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Montes Claros os primeiros resultados da pesquisa. Foi exibido o primeiro protótipo funcional do equipamento. “Ele é capaz de registrar automaticamente imagens dos ovos, propiciar a contagem por meio da inteligência artificial e fornecer recursos de visualização dos dados em mapas de calor”, destacou Lacerda.
Ele afirma que os resultados preliminares foram recebidos positivamente pela equipe da pasta municipal que ressaltaram a relevância do Ovitrack para fortalecer as estratégias de combate à dengue no município.
Avanço de fases
O projeto agora avança para a fase de aperfeiçoamento de suas três frentes principais: captura de imagens, contagem de ovos com IA e visualização das informações coletadas. A meta é integrar todas as etapas em uma única plataforma de apoio à gestão em saúde pública.
Projetos como o Ovitrack demonstram o papel estratégico da universidade no enfrentamento de problemas locais e reforçam sua contribuição científica para a melhoria da qualidade de vida da população de Montes Claros e região. "Ao investir em soluções tecnológicas aplicadas às demandas regionais, a Unimontes reafirma seu compromisso com a sociedade norte-mineira”, finalizou o pesquisador.
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