Durante o 19º Congresso Internacional de Espeleologia, realizado no Minascentro, em Belo Horizonte, no último mês de julho, o Observatório Espeleológico conquistou o segundo lugar na categoria técnica do III Prêmio Nacional de Espeleologia Michel Le Bret. O reconhecimento foi concedido pelo artigo “Plano de Ação Territorial do Espinhaço Mineiro (PAT): Estratégias para a conservação da Gruta da Morena”, que apresenta resultados expressivos na proteção de espécies raras e ameaçadas.
O trabalho, coordenado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) , destaca ações para preservar dois aracnídeos cavernícolas endêmicos de Minas Gerais e em risco de extinção: Spinopilar moria e Eukoenenia sagarana. Essas espécies têm como único habitat conhecido a Gruta da Morena, localizada em Cordisburgo (MG).
Durante a elaboração do PAT Espinhaço Mineiro, em 2020, foram definidas três frentes de atuação para conservação da fauna e do patrimônio espeleológico local tais como: mapeamento e levantamento de dados populacionais para subsidiar a avaliação e as ações de conservação; busca por novas populações em áreas com maior potencial de ocorrência na região cárstica de Lagoa Santa e estudos técnicos sobre os atributos da Gruta da Morena e seu entorno, visando propor medidas de proteção à região.
“O PAT tem sido relevante para demonstrar a importância de medidas concretas para conservação e proteção da fauna e seu habitat”, afirmou a diretora de Proteção à Fauna do IEF, Laura Homem.
A execução das ações teve início em 2022, com a contratação do Observatório Espeleológico, apoiado pelo projeto nacional Pró-Espécies: Todos contra a Extinção. A ONG realizou expedições de campo, prospecções espeleológicas e levantamentos de dados, elaborando diagnósticos sobre a ocorrência das espécies e suas condições de conservação. O trabalho resultou em propostas técnicas para políticas de manejo e preservação da Gruta da Morena e de sua biodiversidade associada. Todas as etapas foram supervisionadas pelo IEF.
Para a técnica ambiental da Unidade Regional de Florestas e Biodiversidade Centro Norte do IEF, Isabella Carneiro, que acompanhou de perto o projeto, o reconhecimento é um incentivo para avançar. “O trabalho foi exitoso, pois são duas espécies sobre as quais havia pouco conhecimento. Avançar nesse campo permite criar estratégias mais eficientes de proteção não só a elas, mas também a seu hábitat, tão específico e ameaçado. É hora de comemorar e prosseguir mais fortalecidos em prol da conservação”, frisou.
Sobre o PAT Espinhaço Mineiro
O Plano de Ação Territorial do Espinhaço Mineiro integra a Estratégia Nacional para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção, no âmbito do Projeto Pró-Espécies. A iniciativa abrange 105.251 km², atravessando os biomas Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica, com foco em 24 espécies criticamente ameaçadas não contempladas por outros instrumentos de conservação. Indiretamente, o plano beneficia mais 1.787 espécies ameaçadas na região da Reserva da Biosfera Serra do Espinhaço.
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