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Na era da IA, proteger dados exige verificar identidades

Especialistas defendem que o desafio deixou de ser coletar mais dados e passou a ser verificar de modo mais eficiente quem está por trás de cada in...

20/07/2026 12h06
Por: Redação Fonte: Agência Dino
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Confiar que existe uma pessoa real do outro lado da tela se tornou um dos principais desafios da economia digital. Com o avanço da inteligência artificial generativa, dos golpes de phishing e de técnicas criminosas cada vez mais sofisticadas, as empresas precisam garantir quem está utilizando efetivamente os dados. Segundo o relatório Global Cybersecurity Outlook 2025, do Fórum Econômico Mundial (WEF), 72% das organizações relataram aumento dos riscos cibernéticos em 2024, cenário impulsionado justamente pela evolução dessas ameaças.

Nesse contexto, especialistas defendem que é preciso construir confiança em relação a quem acessa, compartilha e utiliza esses dados ao longo de toda a jornada digital, garantindo que decisões sejam tomadas com base em identidades confiáveis e informações verificadas.

Segundo Iuri Duarte, especialista em Privacidade e Proteção de Dados da Certta, o aumento da exposição não significa que as empresas precisam coletar mais informações, mas sim verificar melhor quem está utilizando os dados que já foram coletados. "Proteção de dados e verificação de identidade e documentos não são objetivos opostos. Um processo bem desenhado minimiza a coleta de dados ao que é realmente necessário, ao mesmo tempo em que cruza múltiplas fontes e evidências para confirmar a identidade do usuário com mais segurança", afirma Duarte.

De acordo com o especialista, essa mudança acompanha a evolução das jornadas digitais. Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2025, o celular já responde por 75% das transações bancárias realizadas no Brasil, consolidando o mobile como principal canal de relacionamento entre consumidores e instituições financeiras. Nesse cenário, usuários transitam com naturalidade entre diferentes apps e canais, o que torna cada vez mais importante diferenciar comportamentos legítimos de sinais reais de fraude.

O desafio das empresas está justamente em diferenciar comportamentos legítimos de sinais que realmente indicam risco. Isso exige que os processos de verificação deixem de depender de uma única informação e passem a considerar diferentes fontes de dados, o contexto da transação e o histórico daquela interação para tomar decisões mais precisas.

Essa necessidade também acompanha uma mudança nas expectativas dos próprios consumidores. De acordo com a pesquisa State of the Connected Customer, da Salesforce, 73% dos consumidores esperam que as empresas compreendam suas necessidades e ofereçam experiências mais personalizadas, inclusive em ambientes digitais. No contexto da proteção de dados, isso significa encontrar um equilíbrio entre segurança e conveniência, intensificando verificações quando há sinais de risco e reduzindo atritos em situações de menor exposição.

"A inteligência no uso dos dados está em decidir quais validações fazem sentido para cada interação. Quando combinamos diferentes fontes de informação, contexto e sinais de risco, conseguimos proteger melhor o usuário, reduzir fraudes e evitar atritos desnecessários na experiência digital", ressalta Duarte.

Segundo Yasodara Cordova, pesquisadora e consultora em Privacidade e Identidades Digitais, "a discussão sobre identidade digital passou a ser uma discussão sobre confiança. Em sistemas complexos, ela não nasce de uma única evidência, mas da capacidade de interpretar contexto, combinar diferentes sinais e tomar decisões proporcionais ao risco".

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