A Reforma Tributária do Consumo entrou em uma fase decisiva de implementação, com início do período de testes neste ano de 2026, e novas regras de padronização fiscal vão afetar diretamente a rotina das locadoras de máquinas e equipamentos. Na avaliação da Sisloc Softwares, especializada em sistemas de gestão para locadoras, o momento exige atenção redobrada relacionada à conformidade, cadastros, parametrizações fiscais e emissão de documentos – especialmente no contexto da NFS-e, que avança para acomodar novos tributos.
"Existe uma expectativa natural de simplificação no longo prazo, mas no curto prazo o locador vai conviver com transição, testes, ajustes de layout e dúvidas operacionais. O risco não é ‘pagar mais amanhã’ de um dia para o outro, e sim errar hoje na preparação e sofrer com retrabalho, rejeição de nota e inconsistências fiscais", afirma Leônidas Ferreira, conhecido como Leo Sisloc, diretor-executivo da Sisloc Softwares.
A Reforma Tributária do Consumo substitui gradualmente tributos atuais sobre bens e serviços por um modelo de IVA dual, composto por CBS (federal) e IBS (estadual/municipal), além do Imposto Seletivo para itens específicos. A estrutura e os princípios gerais estão na Emenda Constitucional 132/2023, e a regulamentação vem sendo detalhada por leis complementares — com destaque para a LC 214/2025, que institui CBS e IBS, e para normas recentes que organizam a governança e a implementação desses novos tributos.
Na prática, o objetivo do novo modelo é padronizar regras, reduzir disputas entre entes federativos e ampliar a transparência do imposto no documento fiscal, com cobrança não cumulativa e no destino.
Embora a transição completa seja gradual, 2026 marca o começo do período de testes, com orientação do governo para destaque de alíquotas-teste (caráter informativo) em documentos fiscais, como forma de validar sistemas e processos. Ou seja: mesmo quando não houver recolhimento efetivo nessa fase de teste, o locador pode precisar ajustar emissão e integrações, porque o documento fiscal passa a ser o ‘campo de prova’ do novo modelo.
Para a Sisloc, esse é o ponto em que muitas empresas podem subestimar o impacto: "Teste não é ‘ficar parado’. Teste é quando aparecem a maior parte dos ajustes de cadastro, regra fiscal, contrato, item, município, serviço, retenção e integrações", reforça Leo.
NFS-e nacional e locação: padronização avança
Um tema sensível para locadoras é a Nota Técnica SE/CGNFS-e nº 005/2025, publicada no portal oficial da NFS-e, que trata de adequações do layout da NFS-e padrão nacional no contexto da Reforma Tributária. Embora ela ainda não esteja em vigência, nem com data de implementação, introduz evoluções para comportar informações ligadas à CBS/IBS e inclui orientações técnicas relacionadas à operação de locação de bens móveis na NFS-e nacional.
Na visão da Sisloc, a padronização tende a reduzir ambiguidades no médio prazo, mas também traz um alerta: locadoras que operam em múltiplos municípios podem sentir primeiro o efeito em parametrizações, cadastros e qualidade dos dados que alimentam a emissão fiscal.
O que pode gerar dor de cabeça, caso o locador não se prepare
Segundo a Sisloc, os principais ‘contras’ e riscos do período de transição não estão apenas na alíquota final, que ainda depende de consolidação regulatória, mas na operação. Alguns aspectos estão relacionados a:
"O locador não precisa entrar em pânico, mas também não pode esperar que tudo se defina para depois agir. O melhor caminho é organizar processos, revisar cadastros e deixar o sistema pronto para evoluir junto com os layouts e exigências", orienta Leo.
Como as locadoras podem se preparar já em 2026
A recomendação prática da Sisloc para os próximos meses é tratar a Reforma Tributária como um projeto de conformidade e dados, com foco em revisão de cadastros (itens, serviços, filiais, municípios, tomadores); mapeamento de fluxos que geram documento fiscal (contrato, medição, cobrança, devolução, avaria, substituição); conferência de regras e parametrizações fiscais no ERP; validação de integrações com emissão de NFS-e e rotinas contábeis; e treinamento do time administrativo para reduzir erro operacional na transição.
"Com a evolução regulatória e técnica, as soluções de gestão passam a ter um papel ainda mais relevante para reduzir risco de não conformidade e dar rastreabilidade às operações", observa Leo, acrescentando que nos quatro primeiros meses não haverá aplicação de multas pela falta de registro dos campos do IBS e da CBS nos documentos fiscais, conforme o Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 1, de 22 de dezembro de 2025.
Por fim, Leo Sisloc recomenda: "Tão importante quanto as parametrizações no sistema, é a locadora de máquinas ter um alinhamento com sua contabilidade, para entendimento dos novos códigos e como eles impactam sua rotina. A orientação da contabilidade é essencial para que o empresário não se sinta confuso nessa fase".
Tecnologia MPD Engenharia conquista Selo Dourado do Cubo Itaú
Tecnologia Número de mulheres que cursam tecnologia triplica em 15 anos
Tecnologia STF julgará pejotização e define regras para empresas com PJ
Tecnologia Crescimento das encomendas exige evolução dos condomínios
Tecnologia BI e IA avançam na gestão de empresas médias Mín. 19° Máx. 25°
Mín. 19° Máx. 27°
ChuvaMín. 18° Máx. 23°
Chuvas esparsas