A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) integrou uma missão técnica voltada para o fortalecimento da produção cafeeira em Moçambique, a convite da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
O pesquisador Gladyston Carvalho liderou a missão e representou a Epamig, que atua ativamente em pesquisas relacionadas ao melhoramento genético, desenvolvimento e validação de novas cultivares de café. Ele contribuiu com a contextualização dos sistemas de produção locais, avaliando diferentes áreas e realizando treinamentos destinados a cafeicultores, técnicos e pesquisadores.
"Diante do trabalho desenvolvido pela Epamig e considerando a tradição de Minas Gerais no cultivo do café, fui enviado com a missão de conhecer as diferentes regiões produtoras, compreender a cafeicultura já existente e colaborar no treinamento das equipes, apresentando uma visão sobre a aptidão do país para a produção de café dentro de um modelo de base familiar. A partir disso, buscamos gerar retornos capazes de aperfeiçoar a atividade e proporcionar melhores condições de vida", ressaltou Gladyston.

O pesquisador da Epamig, Gladyston Carvalho (Acervo pessoal)
O pesquisador destacou ainda que Moçambique possui condições naturais favoráveis à cafeicultura e semelhantes às de Minas Gerais. “Vejo um grande potencial de produção, além de uma cafeicultura com clima, altitude e precipitação muito semelhantes aos de Minas Gerais. O sistema produtivo é parecido, em termos de florescimento e modelo de colheita”.
"Há áreas mecanizadas, boa disponibilidade hídrica para irrigação e regiões com relevo plano a montanhoso, além de altitude que varia de 650 a 1.250 metros, capaz de produzir em quantidade e boa qualidade sensorial. Vejo uma similaridade, embora o perfil do agricultor seja diferente", completou Gladyston Carvalho.
Além de fortalecer capacidades técnicas e ampliar oportunidades de cooperação de longo prazo entre Moçambique e Brasil, a missão organizada pela FAO busca consolidar a cafeicultura como uma importante fonte de renda para as famílias, especialmente para comunidades que tradicionalmente se dedicam a culturas de subsistência, como milho, feijão e mandioca.
A primeira expedição técnica também busca abrir caminho para novas oportunidades, como a possibilidade de coletar material genético da espécie Coffea racemosa, que tem Moçambique como país de origem, para sua introdução no Banco Ativo de Germoplasma da Epamig, além de contribuir para a geração de emprego, o desenvolvimento rural e o crescimento econômico das regiões envolvidas.
Instituições organizadoras
A FAO organizou a missão no âmbito do Programa Integrado de Desenvolvimento Agrícola (Prodai), financiado pelo Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional da Itália. A iniciativa é implementada pela Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento, em parceria com o Ministério da Agricultura, Meio Ambiente e Pescas de Moçambique e em estreita coordenação com a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido).
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